Local: Centro Cultural de Lagos
GENTE SINGULAR │O Teatro da Caverna
Adaptação, dramaturgia e encenação: Alfredo Gomes e Nídia dos Santos
Imagine-se Manuel Teixeira Gomes, autor do conto “Gente Singular”, emergindo da escrita para orquestrar a dramaturgia desta sua obra, dificultada pela irreverência de algumas personagens e pela necessária adaptação à actualidade… É o próprio autor que constrói a ponte de mais de cem anos entre a excentricidade das personagens que nos legou e o olhar divertido de quem o lê na actualidade.
GENTE SINGULAR é uma adaptação livre do conto homónimo de Manuel Teixeira Gomes e o mais recente trabalho d’ O Teatro A Caverna (Grupo de Teatro da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, Portimão). Com cerca de 17 anos de existência, o grupo levou à cena mais de duas dezenas de peças originais e inúmeras actividades de animação e teatro de rua. Das apresentações mais recentes, destacam-se as realizadas na Casa da Música, Porto (2008), no Teatro das Figuras, Faro (2009), e no TEMPO, Portimão (2010)."
O conto "Gente Singular" é de Manuel Teixiera Gomes.
"Um conto de Manuel Teixeira-Gomes, seguido de um estudo, sobre o mesmo, de David Mourão-Ferreira."
"Quem nunca viu o capote usado pelas mulheres algarvias e a volta que elas dão à ampla gola em redor da cabeça para fazer o que chamam rebuço, quem nunca viu na rua ou na igreja esses monstros apocalípticos não poderá julgar da propriedade com que eu, para mais desprevenido, capitulei as três estranhas aparições de ursos com tromba de elefante".
MANUEL TEIXEIRA-GOMES nasceu na então Vila Nova de Portimão, em 1860, oriundo de uma desafogada família algarvia de comerciantes de frutos secos, e apesar de uma existência dispersiva e cosmopolita sempre ao Algarve e à sua paisagem natural e humana se conservou fiel, dedicando-lhes as páginas mais vibrantes do seu incomparável estro literário. Com a implantação da República foi diplomata em Londres e Madrid, depois Presidente entre 1923 e 1925 - para logo no ano seguinte voluntariamente se exilar para sempre jamais. Morreu em Bougie, na Argélia, em 1941. Publicou em vida onze livros, desde Inventário de Junho (1899) a Carnaval Literário (1939). O conto "Gente Singular", incluído em colectânea a que deu título, saiu em 1909 e é sobremaneira representativo de uma obra que, como escreveu David Mourão-Ferreira, "pela subtilíssima dosagem de instinto e inteligência, de sensualismo e de humor, de plenitude física e de bom gosto cultural, não encontra paralelo em toda a literatura portuguesa".
DAVID MOURÃO-FERREIRA (1927-1996) deixou obra vasta e multímoda na poesia, na ficção, no teatro, na crónica e na crítica literária. Dentre os mais notáveis ensaios que produziu, contam-se os dedicados a Manuel Feixeira-Gomes, e mormente o estudo, que no presente volume se inclui, sobre o conto "Gente Singular".
Manuel Teixeira Gomes nasceu em Portimão em 1862, mas estudou em Coimbra, onde deixou o curso de Medicina para se dedicar à vida boémia e literária. Filho de um comerciante abastado, conhece o Mundo a trabalhar na empresa de exportação de frutos secos do pai, desenvolvendo o gosto pelas artes.
Conviveu com personalidades da época, como Sampaio Bruno, João de Deus ou Columbano Bordalo Pinheiro e foi o primeiro embaixador da recém-implantada República em Inglaterra, onde chegou em 1911 e teve papel fundamental no reconhecimento do novo regime político por parte da monarquia inglesa.
Da sua obra literária constam livros como "Cartas sem Moral Nenhuma" (1904), "Agosto Azul" (1904), "Sabrina Freire" (1905), "Desenhos e Anedotas de João de Deus" (1907), "Gente Singular" (1909), "Cartas a Columbano" (1932), "Novelas Eróticas" (1935), "Regressos" (1935) ou "Carnaval Literário" (1938).
Teixeira Gomes foi o sétimo Presidente da República, cargo que exerceu entre 1923 e 1925, ano em que resignou ao cargo e se auto-exilou em Bougie (Argélia francesa), onde morreu em 1941.
http://gentesingular.pt/livros/52-gentesingular
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