segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estrutura da carta formal


Eis um exemplo de uma carta fictícia elaborada por um aluno do 5º ano.

Exemplo da estrura de uma carta formal.

correcção da ficha dos actos ilocutórios

FICHA DE TRABALHO
Lê com atenção o excerto que te é apresentado a seguir.
MINUTOS antes das sete horas daquele dia de Abril de 1974, o telefone acordou-me: era minha mãe, aflita e em voz baixa, como se fosse um terrível segredo, a dizer-me que havia uma revolução. (…) fez-me prometer-lhe que não saía de casa. (…) Fui, em pijama, até à janela aberta sobre o rio ainda cinzento de bruma, com o Palácio de S. Bento em baixo, adormecido na sua triste sorte antes de outra haver.
    Ouvi então a Mahité a rir-se nas minhas costas – porque eu tinha dito, com imenso seriedade histórica: “É a revolução do 25 de Abril”. (…) voltei a ouvir em casa as notícias excitadas da rádio – e as transmissões das forças fiéis, apanhadas em grande surpresa e susto, a comunicarem para um comandante tido como chefe das operações (…) E no Rossio? Interrogava o general. (…) Era preciso mandar um avião bombardear (…)
Andei com o Domingos Moura por ali, até à Baixa pejada de gente. Encontrámos o Lindley Cintra que uma dama insultava, histérica e filha de gerarca deposto ( …) Pessoas paravam, espantadas ou rindo, na chuvinha miudinha que tombava – como Eça teria podido escrever… À tarde, no Camões, achei o velho Manta abanando a cabeça, com uma emoção antiga ( …) (Vítor Magalhães Godinho, realística e desencantadamente, lembrou em Outubro), “num tão longo regime totalitário, quer se queira quer não, todos estiveram comprometidos”.

in, FRANÇA, José-Augusto, Memórias para o ano 2000, Livros Horizonte, Lisboa,
s/d.

1 –Neste relato, de J. Augusto França, marca com uma cruz as frases onde ocorrem verbos que explicitamente referem actos de fala/actos ilocutórios.
- O telefone acordou-me. ___
- Ouvi as transmissões (…) a comunicarem para o comandante. _X__
- Era a minha mãe a dizer-me que … _X__
- A minha mãe fez-me prometer que … _X__
- Ouvi a Mahité a rir-se. ___
- O general interrogava: E no Rossio? _X__
- Andei com o Domingos Moura por ali. ___
- Uma dama insultava Lindley Cintra. _X__
- V.M Godinho lembrou em Outubro. _X__
- À tarde achei o velho Manta. ___

2 – Considera os enunciados apresentados na coluna A e retirados do texto que acabaste de ler.

A
B
C
D
1 – “era minha mãe, aflita e em voz baixa, como se fosse um terrível segredo, a dizer-me que havia uma revolução. (…)”
“Há uma revolução”
Informar sore algo verídico e real, que aconteceu de verdade e no qual se acredita como tal.
Acto ilocutório assertivo
2 – “fez-me prometer-lhe que não saía de casa.”
“Promete-me que não sais de casa”
Comprometer o interlocutor a realizar algo.
Acto ilocutório compromissivo
3 – “eu tinha dito, com imensa seriedade histórica: “É a revolução do
25 de Abril”. (…)”
“É a revolução do 25 de Abril”
Informar sore algo verídico e real, que aconteceu de verdade e no qual se acredita como tal.
Acto ilocutório assertivo
4 – “E no Rossio? Interrogava o
general. (…)”

“E no Rossio?”
Perguntar algo ao interlocutor para obter uma resposta.
Acto ilocutório directivo
5 – “Encontrámos o Lindley Cintra que insultava uma dama histérica”
“Seu malvado! Desgraçado! Canalha!”
Expressar a emotividade do locutor.
Acto ilocutório expressivo
6 - “(Vítor Magalhães Godinho, realística e desencantadamente, lembrou em Outubro), “num tão longo regime totalitário, quer se queira quer não, todos estiveram comprometidos”.
num tão longo regime totalitário, quer se queira quer não, todos estiveram comprometidos”.
Informar sore algo verídico e real, que aconteceu de verdade e no qual se acredita como tal.
Acto ilocutório assertivo


2.1 - Escreve em discurso directo, na coluna B, os enunciados que realizam os actos de fala/ actos ilocutórios referidos pelos verbos sublinhados.
2.2 – Identifica, na coluna C, os objectivos ilocutórios de cada enunciado produzido em B.
2.3 – Classifica, na coluna D, os actos ilocutórios resultantes do exercício que fizeste em 3.1.
3 – Faz corresponder a cada frase, o tipo de acto ilocutório que ela realiza.


FRASES

TIPOLOGIA DOS ACTOS ILOCUTÓRIOS
1 – Espera-me no fim do comício, no café da esquina. A - Compromissivo
A - Compromissivo
2 – Ah, emoção das emoções! Ah, como me congratulo por ter vivido até ver este dia!
D - Expressivo
B - Assertivo
3 – Declaro o recolher obrigatório a partir das 21.00 horas.  E- Declarativo
C - Directivo
4 – Então não concordas comigo? O 25 de Abril não foi a maior alegria da tua vida?
B - Directivo
D - Expressivo
5 – Andei com o Domingos Moura pela cidade. A - Assertivo
E - Declarativo


4 – Considera a frase: À tarde, no Camões, achei o velho Manta abanando a cabeça, com uma emoção antiga ( …) ( linhas 15 e 16).
Redige o enunciado que podia ter sido produzido por Abel Manta, como um acto de fala/ilocutório expressivo. Resposta livre, do tipo: “-Oh, que emoção viver este dia!”, “-Que alegria! Que felicidade!”, “-É o que de melhor podia acontecer!”

5 - Imagina uma situação de comunicação em que ocorram actos ilocutórios assertivos, compromissivos e declarativos. Resposta livre, mas a situação apresentada convém ser passada num tribunal ou num casamento ou num baptizado.

Actos ilocutórios correcção da ficha

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ainda sobre Manuel Teixeira Gomes

Local: Centro Cultural de Lagos
GENTE SINGULAR │O Teatro da Caverna
Adaptação, dramaturgia e encenação: Alfredo Gomes e Nídia dos Santos

Imagine-se Manuel Teixeira Gomes, autor do conto “Gente Singular”, emergindo da escrita para orquestrar a dramaturgia desta sua obra, dificultada pela irreverência de algumas personagens e pela necessária adaptação à actualidade… É o próprio autor que constrói a ponte de mais de cem anos entre a excentricidade das personagens que nos legou e o olhar divertido de quem o lê na actualidade.

GENTE SINGULAR é uma adaptação livre do conto homónimo de Manuel Teixeira Gomes e o mais recente trabalho d’ O Teatro A Caverna (Grupo de Teatro da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, Portimão). Com cerca de 17 anos de existência, o grupo levou à cena mais de duas dezenas de peças originais e inúmeras actividades de animação e teatro de rua. Das apresentações mais recentes, destacam-se as realizadas na Casa da Música, Porto (2008), no Teatro das Figuras, Faro (2009), e no TEMPO, Portimão (2010)."
O conto "Gente Singular" é de Manuel Teixiera Gomes.
"Um conto de Manuel Teixeira-Gomes, seguido de um estudo, sobre o mesmo, de David Mourão-Ferreira."
"Quem nunca viu o capote usado pelas mulheres algarvias e a volta que elas dão à ampla gola em redor da cabeça para fazer o que chamam rebuço, quem nunca viu na rua ou na igreja esses monstros apocalípticos não poderá julgar da propriedade com que eu, para mais desprevenido, capitulei as três estranhas aparições de ursos com tromba de elefante".

MANUEL TEIXEIRA-GOMES nasceu na então Vila Nova de Portimão, em 1860, oriundo de uma desafogada família algarvia de comerciantes de frutos secos, e apesar de uma existência dispersiva e cosmopolita sempre ao Algarve e à sua paisagem natural e humana se conservou fiel, dedicando-lhes as páginas mais vibrantes do seu incomparável estro literário. Com a implantação da República foi diplomata em Londres e Madrid, depois Presidente entre 1923 e 1925 - para logo no ano seguinte voluntariamente se exilar para sempre jamais. Morreu em Bougie, na Argélia, em 1941. Publicou em vida onze livros, desde Inventário de Junho (1899) a Carnaval Literário (1939). O conto "Gente Singular", incluído em colectânea a que deu título, saiu em 1909 e é sobremaneira representativo de uma obra que, como escreveu David Mourão-Ferreira, "pela subtilíssima dosagem de instinto e inteligência, de sensualismo e de humor, de plenitude física e de bom gosto cultural, não encontra paralelo em toda a literatura portuguesa".

DAVID MOURÃO-FERREIRA (1927-1996) deixou obra vasta e multímoda na poesia, na ficção, no teatro, na crónica e na crítica literária. Dentre os mais notáveis ensaios que produziu, contam-se os dedicados a Manuel Feixeira-Gomes, e mormente o estudo, que no presente volume se inclui, sobre o conto "Gente Singular".
Manuel Teixeira Gomes nasceu em Portimão em 1862, mas estudou em Coimbra, onde deixou o curso de Medicina para se dedicar à vida boémia e literária. Filho de um comerciante abastado, conhece o Mundo a trabalhar na empresa de exportação de frutos secos do pai, desenvolvendo o gosto pelas artes.
Conviveu com personalidades da época, como Sampaio Bruno, João de Deus ou Columbano Bordalo Pinheiro e foi o primeiro embaixador da recém-implantada República em Inglaterra, onde chegou em 1911 e teve papel fundamental no reconhecimento do novo regime político por parte da monarquia inglesa.
Da sua obra literária constam livros como "Cartas sem Moral Nenhuma" (1904), "Agosto Azul" (1904), "Sabrina Freire" (1905), "Desenhos e Anedotas de João de Deus" (1907), "Gente Singular" (1909), "Cartas a Columbano" (1932), "Novelas Eróticas" (1935), "Regressos" (1935) ou "Carnaval Literário" (1938).
Teixeira Gomes foi o sétimo Presidente da República, cargo que exerceu entre 1923 e 1925, ano em que resignou ao cargo e se auto-exilou em Bougie (Argélia francesa), onde morreu em 1941.
http://gentesingular.pt/livros/52-gentesingular

"Gente Singular" de Manuel Teixeia Gomes

A 17 de Dezembro de 1925, Manuel Teixeira Gomes partia para o exílio voluntário, rumo à Argélia.

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Manuel Teixeira Gomes

Manuel Teixeira Gomes (Vila Nova de Portimão, 27 de Maio de 1860[1] — Bougie (Argélia), 18 de Outubro de 1941) foi o sétimo presidente da Primeira República Portuguesa de 6 de Outubro de 1923 a 11 de Dezembro de 1925. Foi também escritor.

Biografia

Foi filho de José Líbano Gomes e Maria da Glória Teixeira Gomes. Educado pelos pais até entrar no Colégio de São Luís Gonzaga, em Portimão, é enviado aos 10 anos, para o seminário de Coimbra, onde frequenta depois a Universidade, em Medicina. Cedo desiste do curso e, contrariando a vontade do pai, muda-se para Lisboa, onde pertencerá ao círculo de Fialho de Almeida e João de Deus. Mais tarde, conhecerá outros vultos importantes da cultura literária da época, como Marcelino Mesquita, Gomes Leal e António Nobre.

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Colégio de S. Luis Gonzaga

O pai, com alguma visão de futuro, decide continuar a apoiar financeiramente a nova vida de cariz boémio, permitindo assim que Manuel consiga desenvolver uma forte tendência para as artes, nomeadamente na literatura, pintura e escultura. Tendo-se decidido pela literatura, não deixa, no entanto, de admirar as outras artes, tornando-se amigo de grandes mestres, como Columbano Bordalo Pinheiro.

Vive depois no Porto, onde conheceu Sampaio Bruno, tendo sido neste período que começa a colaborar em revistas e jornais, entre eles "O Primeiro de Janeiro" e "Folha Nova".

Depois de se reconciliar novamente com a família, viaja pela Europa, norte de África e Próximo Oriente, em representação comercial, para negociar os produtos agrícolas produzidos pelas propriedades do pai (frutos secos, nomeadamente amêndoa e figo) o que alarga consideravelmente os seus horizontes culturais.

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Jorge V

Após a implantação da República, exerce o cargo de ministro plenipotenciário de Portugal em Inglaterra. Em 11 de Outubro de 1911 apresenta as suas credenciais ao rei Jorge V do Reino Unido, em Londres, cidade onde então se encontrava a família real portuguesa no exílio.

Eleito Presidente da República a 6 de Agosto de 1923, viria a demitir-se das suas funções a 11 de Dezembro de 1925, num contexto de grande perturbação política e social. A sua vontade em dedicar-se exclusivamente à obra literária, foi a sua justificação oficial para a renúncia.

A 17 de Dezembro, embarca no paquete holandês "Zeus" rumo a Oran (Argélia) num auto-exílio voluntário, sempre em oposição ao regime de Salazar, nunca regressando em vida a Portugal.

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Argélia

Morre em 1941 e só em Outubro de 1950 os seus restos mortais voltam a Portugal, numa cerimónia que veio a tornar-se provavelmente na mais controversa manifestação popular, ocorrida na já então cidade de Portimão, nos tempos da ditadura de Salazar, onde estiveram presentes as suas duas filhas, Ana Rosa Teixeira Gomes Calapez e Maria Manuela Teixeira Gomes Pearce de Azevedo.

Deixou uma importante obra literária, integrada na corrente nefelibata e uranista. As suas obras completas estão disponíveis ao grande público através de edição recente..

Citação

"A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros.".

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Casa Museu Manuel Teixeira Gomes

Principais obras literárias
Cartas sem Moral Nenhuma (1904)
Agosto Azul (1904)
Sabrina Freire (1905)
Desenhos e Anedotas de João de Deus (1907)
Gente Singular (1909)
Cartas a Columbano (1932)
Novelas Eróticas (1935)
Regressos (1935)
Miscelânea (1937)
Maria Adelaide (1938)
Carnaval Literário (1938).

In Wikipédia

[TEIXEIRA+GOMES.jpg]Manuel Teixeira Gomes


Blogue para o 10ºN

Sejam bem vindos, este blogue foi feito para poder haver mais um meio de comunicação entre professor-alunos. Neste caso a disciplina é o português, do 10º ano profissional.